iRobot: 36 anos de história, do campo de batalha à sua sala

Se você mora no Japão, provavelmente já viu um deles em ação: aquele disco que sai passeando sozinho pela sala, some embaixo do sofá e volta pra base quando termina. No Japão a marca virou sinônimo do produto — as pessoas não dizem “robô aspirador”, dizem ルンバ (runba). E não é exagero: o iRobot detém cerca de 65% do mercado japonês de robôs de limpeza.

O que quase ninguém imagina é que essa empresa não nasceu pra limpar chão. Ela nasceu num laboratório do MIT em 1990 pra construir robôs que fossem a Marte. Antes de entrar na sua sala, os robôs do iRobot entraram nos escombros do World Trade Center, em mais de 2.000 missões no Iraque e no Afeganistão e na usina nuclear de Fukushima.

E o fim dessa história é o mais surpreendente de todos: em dezembro de 2025 o iRobot pediu recuperação judicial. Hoje, em 2026, a empresa americana que inventou o robô aspirador pertence a uma companhia chinesa e não é mais negociada na bolsa. Esta é a história completa — do laboratório do MIT à falência, e o papel decisivo que o Japão teve nela.

O começo: três pesquisadores do MIT e um robô que andava como inseto

Em junho de 1990, três pesquisadores do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT — Rodney Brooks, Colin Angle e Helen Greiner — fundaram uma empresa chamada IS Robotics. O objetivo não tinha nada de doméstico: eles queriam construir robôs práticos para uso espacial, militar e industrial.

A ideia central era uma tese de Rodney Brooks que, na época, era quase herética. Enquanto o resto da robótica tentava construir máquinas com um “cérebro” central que planejava cada movimento antes de agir, Brooks defendia o oposto: robôs simples, com comportamentos reativos, que aprendiam a se virar no mundo real na base da tentativa e erro. Robôs que se comportavam menos como computadores e mais como insetos.

As origens do iRobot no laboratório de inteligência artificial do MIT em 1990

Ilustração autoral: os primeiros robôs do grupo do MIT caminhavam sobre múltiplas pernas e reagiam ao ambiente sem um plano central.

A década que quase ninguém lembra (1990–2001)

Os primeiros dez anos do iRobot foram de sobrevivência. A empresa fez de tudo: robôs de pesquisa vendidos para universidades, projetos financiados pelo governo americano, robôs para inspeção de poços de petróleo e até uma parceria com a indústria de brinquedos. A empresa passou boa parte dos anos 90 vivendo de contratos de pesquisa — sem nenhum produto de consumo de verdade.

Foi nesse período que a empresa desenvolveu a competência que definiria seu futuro: fazer robôs baratos, robustos e que funcionam sem supervisão humana. Essa combinação é muito mais difícil do que parece, e é exatamente o que faltava a todos os concorrentes que tentaram copiar o Roomba depois.

1999: o robô que quase se chamou “DustPuppy”

A história do Roomba começa com um engenheiro chamado Joe Jones. Ainda em 1989, trabalhando no MIT, Jones construiu com peças de LEGO um robozinho que limpava o chão. Ele batizou a criatura de “Rug Warrior” — guerreiro de tapete — e a inscreveu numa competição de robótica.

A ideia ficou engavetada por dez anos. No verão de 1999, já dentro do iRobot, Jones e o colega Paul Sandin escreveram uma proposta interna com um título que não escondia a ambição: “DustPuppy: um produto revolucionário de curto prazo com alto potencial de lucro”.

A aposta foi mínima: a diretoria deu aos dois cerca de US$ 10 mil e duas semanas para montar um protótipo. Deu certo. Jones e Sandin passaram os três anos seguintes trabalhando em tempo integral no projeto. O nome “DustPuppy” — “filhotinho de poeira” — não sobreviveu ao departamento de marketing, que rebatizou o produto de Roomba.

2001: o robô do iRobot chega ao World Trade Center

Antes de o Roomba chegar às lojas, aconteceu o episódio que mudou o rumo da empresa. Em 1998, o iRobot havia ganhado um contrato da DARPA — a agência de projetos avançados de defesa dos EUA — para o programa de Robôs Táticos Móveis. O pedido: um veículo leve, portátil e capaz de navegar dentro de estruturas urbanas colapsadas em operações de busca e resgate.

O resultado foi o PackBot: um robô sobre esteiras, com braço articulado e câmera, resistente o bastante para ser jogado por uma janela e continuar funcionando.

PackBot, o robô militar do iRobot usado em resgates e desarmamento de bombas

Ilustração autoral do PackBot: esteiras para escalar escombros, braço articulado com garra e câmera de inspeção.

14 de setembro de 2001. Três dias depois dos atentados, três unidades do PackBot — ainda protótipos — foram levadas às pressas para o site do World Trade Center. A missão era entrar nos escombros instáveis onde nenhum bombeiro podia pisar, procurar sobreviventes e avaliar a integridade estrutural dos destroços, enviando imagens de volta. Foi a estreia do sistema numa operação real.

O que veio depois foi uma década de contratos militares. Mais de 2.000 PackBots foram usados no Iraque e no Afeganistão, principalmente para localizar e desarmar artefatos explosivos improvisados (os IEDs) — trabalho em que a alternativa era mandar um ser humano. Em 2011, após o terremoto e o tsunami de Tōhoku, PackBots foram os primeiros a entrar na usina nuclear de Fukushima Daiichi para avaliar os níveis de radiação em áreas onde nenhuma pessoa poderia sobreviver.

Demonstração do PackBot em desarmamento de explosivos — o mesmo fabricante do robô que limpa sua sala.

Setembro de 2002: o Roomba muda tudo

Em setembro de 2002, o iRobot lançou o Roomba Intelligent FloorVac por cerca de US$ 200. Não era o primeiro robô aspirador do mundo — a Electrolux já tinha lançado o Trilobite na Europa —, mas foi o primeiro que as pessoas comuns realmente compraram.

O segredo estava justamente na filosofia de Rodney Brooks: o Roomba original não tinha mapa, não tinha câmera, não tinha wi-fi. Ele tinha três botões (cômodo pequeno, médio e grande), sensores de contato e um algoritmo que o fazia ricochetear pela casa em padrões aparentemente aleatórios — espirais, seguir-parede, ziguezague. Parecia burro. Mas, dado tempo suficiente, cobria o cômodo inteiro. E era barato o bastante pra virar presente de Natal.

O primeiro Roomba de 2002 e sua trajetória de limpeza aleatória

Ilustração autoral: o Roomba de 2002 não sabia onde estava — ele simplesmente insistia até cobrir tudo.

A resposta do mercado foi imediata: 1 milhão de unidades vendidas até 2004. Ao longo de sua história, o iRobot venderia mais de 50 milhões de robôs no mundo todo.

O comercial da primeira geração do Roomba — vale ver como o produto foi vendido ao público na época.

A linha do tempo dos modelos: de três botões à inteligência artificial

  • 2002 — Série 1: o original prateado, mais o Roomba Pro e o Pro Elite. Três botões, navegação aleatória.
  • 2004 — Série 400: chegou em julho de 2004, com modelos simplificados de um botão só (“Clean”). Começa a popularização de verdade.
  • 2007 — Série 500: nova plataforma mecânica, escovas melhores, sensores de sujeira. A base que o iRobot usaria por quase uma década.
  • 2012 — Série 600/700: refinamento incremental — mais sucção, manutenção mais fácil, caçamba maior.
  • 2015 — Roomba 980: o salto. Chega a navegação vSLAM (iAdapt 2.0), que constrói um mapa visual da casa, além de wi-fi e aplicativo. O robô deixa de ricochetear e passa a limpar em linhas retas e organizadas.
  • 2018 — Série i7 e e5: mapas persistentes (o robô memoriza os cômodos e você pode mandar limpar só a cozinha) e a base de autoesvaziamento Clean Base.
  • 2019 — s9+: o topo de linha, com formato em “D” para alcançar cantos e sucção muito mais potente.
  • 2021-2023 — j7 e Combo: reconhecimento de objetos por câmera (para desviar de fios e — o argumento de venda mais famoso — de fezes de animais) e a fusão de aspirador com esfregão.
  • 2025-2026 — Roomba Plus e Max: a nova geração já sob controle chinês, com pano rolante, água quente pressurizada e desenho compacto.

Um colecionador reúne praticamente todas as gerações do Roomba lado a lado — ótimo para ver a evolução física dos modelos.

A era dos mapas — e o começo dos problemas

Quando o Roomba 980 ganhou navegação visual em 2015, algo mudou silenciosamente: o robô parou de ser um eletrodoméstico e virou um sensor conectado dentro da sua casa. Para limpar de forma eficiente, ele precisa saber onde ficam as paredes, os móveis, as portas. Ou seja: ele constrói uma planta baixa detalhada da sua residência.

A era dos mapas: robôs aspiradores passaram a conhecer a planta baixa das casas

Ilustração autoral: a partir de 2015 o robô deixou de tatear e passou a mapear.

Julho de 2017 — a declaração que pegou mal. Colin Angle, então CEO, afirmou em entrevista que o iRobot poderia compartilhar os mapas das casas dos consumidores com Amazon, Apple e Google, caso os usuários autorizassem. A repercussão foi tão negativa que a empresa passou dias fazendo controle de danos e reafirmando que não venderia dados de clientes. Mas a frase ficou.

O vazamento das fotos. O episódio mais grave veio à tona em 2022, referente a imagens capturadas em 2020. Robôs de desenvolvimento da série j7 — unidades de teste com hardware e software modificados, entregues a colaboradores pagos que assinaram termo de consentimento — capturaram imagens dentro de casas para treinar a inteligência artificial. Entre elas, a foto de uma mulher sentada no vaso sanitário.

Essas imagens foram enviadas para a Scale AI, empresa contratada para rotular os dados, e acabaram vazadas por prestadores terceirizados em grupos privados de redes sociais. O iRobot enfatizou que se tratava de robôs especiais de desenvolvimento, jamais de produtos vendidos ao consumidor. Ainda assim, o caso virou o exemplo definitivo do risco de câmeras conectadas dentro de casa.

O que isso significa pra você, na prática: qualquer robô com câmera ou LiDAR gera dados sensíveis sobre sua casa e os envia para servidores na nuvem. Vale a pena, na hora de comprar, checar quais permissões você está concedendo no aplicativo, se é possível desativar o envio de imagens e onde ficam armazenados os mapas. Isso vale para qualquer marca — não só o iRobot.

Os fracassos que quase ninguém lembra

O Roomba deu tão certo que virou uma armadilha: por mais de vinte anos, o iRobot tentou repetir a fórmula em outras categorias — e falhou em praticamente todas. Vale conhecer esse cemitério de produtos, porque ele explica muito da fragilidade financeira que veio depois.

Scooba (2005–2016) — o robô que lavava o chão

Lançado em 2005, o Scooba borrifava água com detergente, esfregava e sugava o líquido sujo. Na teoria, perfeito. Na prática, o tanque era pequeno, a autonomia curta e o processo de encher, esvaziar e limpar o robô dava quase tanto trabalho quanto passar um pano. A linha foi mantida até 2016, quando o iRobot preferiu a tecnologia da Braava, adquirida junto com a Evolution Robotics. A própria Braava foi descontinuada em 2025, quando a empresa apostou tudo nos modelos Roomba que aspiram e passam pano ao mesmo tempo.

Looj (2007–2017) — o robô de calhas

O Looj limpava calhas de telhado, empurrando folhas e galhos para fora. Diferente do resto do catálogo, ele não era autônomo: você subia numa escada, colocava o robô na calha e o controlava por controle remoto. Ou seja, resolvia a parte chata do serviço mas não eliminava a parte perigosa. Foi descontinuado em 2017.

Terra (2019) — o cortador de grama que nunca chegou

Anunciado com estardalhaço em 2019, o Terra era a aposta do iRobot no jardim — mercado dominado por marcas europeias. O lançamento foi adiado em 2020 por causa da pandemia. A empresa nunca mais voltou ao projeto. O produto simplesmente nunca chegou às lojas.

Ava (2013) — o robô de videoconferência

Em parceria com a Cisco, o iRobot criou o Ava 500: uma tela com rodas que permitia a alguém participar de reuniões à distância e se deslocar pelo escritório. O produto era interessante e caríssimo. A divisão foi separada da empresa em 2016 como Ava Robotics.

Some a isso a decisão de vender a divisão militar em 2016 — que virou a Endeavor Robotics — e o quadro fica claro: o iRobot abriu mão da unidade que tinha contratos estáveis com o governo para apostar tudo em um único produto de consumo, num mercado que estava prestes a ser invadido.

A invasão chinesa

Enquanto o iRobot colecionava fracassos fora do carro-chefe, um grupo de fabricantes chineses — Roborock, Dreame, Ecovacs, Narwal — fazia o caminho oposto: concentrava tudo em robôs de limpeza e iterava numa velocidade que a empresa americana não conseguia acompanhar.

O resultado foi brutal. Enquanto o iRobot ainda vendia navegação por câmera, os chineses já ofereciam LiDAR rotativo, bases que lavam e secam o pano sozinhas, sucção muito maior e braços que se estendem para limpar cantos — muitas vezes por preços menores. O iRobot passou a ser a marca cara e tecnologicamente atrasada da categoria que ela mesma criou.

2022–2026: a queda

A sequência de eventos que derrubou o iRobot é quase didática de como uma empresa saudável pode ser destruída em quatro anos.

A queda financeira do iRobot até o pedido de recuperação judicial

Ilustração autoral da trajetória financeira: o acordo com a Amazon foi o ponto mais alto — e o começo do fim.

  • Agosto de 2022 — a Amazon anuncia a compra. A Amazon anuncia a aquisição do iRobot por cerca de US$ 1,7 bilhão. Para os acionistas, seria a saída perfeita.
  • 2023 — os reguladores travam. Autoridades de concorrência nos EUA e na Europa levantam preocupações: a Amazon, dona da maior loja online do mundo e da Alexa, passaria a ter os mapas do interior das casas dos consumidores. A análise se arrasta por mais de um ano.
  • O empréstimo fatal. Para atravessar o período de análise regulatória sem quebrar, o iRobot toma um empréstimo-ponte de US$ 200 milhões com a gestora Carlyle. A dívida foi contratada assumindo que o negócio com a Amazon sairia.
  • Janeiro de 2024 — o acordo morre. A Amazon desiste. Paga ao iRobot uma multa rescisória de US$ 94 milhões — menos da metade do empréstimo que a empresa acabara de tomar. O iRobot fica com a dívida, sem o comprador e com o caixa drenado.
  • 2025 — as tarifas. Os EUA aplicam tarifas de importação de 46% sobre produtos vindos do Vietnã, onde a maior parte dos aparelhos do iRobot destinados ao mercado americano é fabricada. Custo adicional estimado: US$ 23 milhões só em 2025.
  • 2025 — a receita despenca. No trimestre mais crítico, a receita cai 33% nos Estados Unidos e 17% na Europa, Oriente Médio e África. A empresa acumula contas não pagas com fornecedores e até US$ 3,4 milhões em tarifas devidas à alfândega americana.
  • Dezembro de 2025 — Chapter 11. O iRobot entra com pedido de recuperação judicial nos EUA, num processo pré-negociado (prepackaged) no tribunal de Delaware.
  • 23 de janeiro de 2026 — fim de linha. O plano é homologado e entra em vigor. A Shenzhen Picea Robotics — a fabricante contratada que produzia os robôs — converte cerca de US$ 254 milhões em créditos em participação e passa a deter 100% da empresa reorganizada. O iRobot vira companhia de capital fechado e suas ações são retiradas da Nasdaq.

A ironia final: a aquisição pela Amazon foi bloqueada em parte por preocupação com concentração de poder e com os dados domésticos dos consumidores americanos. Quatro anos depois, o resultado prático foi que a empresa faliu e acabou vendida a um grupo chinês — que agora detém exatamente a mesma tecnologia de mapeamento residencial. O CEO Gary Cohen, em entrevista, foi direto ao dizer que a culpa não é só do acordo frustrado com a Amazon: foram muitos anos de problemas acumulados que levaram a empresa até ali.

O Japão: o país que segurou o iRobot de pé

Aqui está a parte da história que quase nenhuma reportagem internacional conta direito — e que quem mora no Japão percebe no dia a dia.

O Japão representa 65% do mercado do iRobot e recebeu modelos feitos sob medida

Ilustração autoral: a nova geração foi redesenhada para caber embaixo dos móveis baixos das casas japonesas.

O iRobot detém cerca de 65% do mercado japonês de robôs aspiradores — contra aproximadamente 42% do mercado americano. E, enquanto a receita caía 33% nos EUA e 17% na Europa, no Japão ela cresceu 6% no mesmo período. O Japão foi, literalmente, o mercado que não abandonou a marca.

Por que o Japão é tão fiel? Alguns fatores se somam:

  • A marca virou a categoria. Assim como “band-aid” ou “gillette”, ルンバ (runba) é o nome genérico que o japonês usa para qualquer robô aspirador. Isso é um ativo que dinheiro nenhum compra.
  • Casas pequenas e chão limpo. A cultura de tirar o sapato na entrada e a valorização do piso limpo tornam o produto muito mais útil no cotidiano japonês do que em muitos outros países.
  • Confiança em marca estabelecida. O consumidor japonês tende a pagar mais por marcas com histórico e assistência técnica local consolidada — exatamente o ponto fraco das concorrentes chinesas recém-chegadas.

2026: o renascimento sob bandeira chinesa

Sob controle da Picea, o iRobot fez algo que não fazia há anos: lançou uma geração inteira de produtos de uma vez — e, pela primeira vez, projetada especificamente para a casa japonesa.

O novo conceito é encolher. Os modelos da linha Roomba Plus têm até 25% menos volume que as gerações anteriores. O objetivo é entrar embaixo de sofás baixos, camas e do vão dos armários de cozinha — chegando a espaços com apenas 9 cm de altura. O modelo Roomba Plus 515 Combo, por exemplo, tem 8,4 cm de altura e 30,3 cm de largura máxima.

A potência de sucção também deu um salto: a nova linha vai de 20.000 Pa a 30.000 Pa, patamar competitivo com as melhores chinesas. E os modelos Roomba Plus 615 e 675 Combo trazem pano rolante com jato de água quente pressurizada, que chega a 60 °C.

Preços no Japão (linha 2026)

Modelo Destaque Preço de tabela
Roomba Plus 415 Combo + base AutoWash Entrada da nova linha, otimizado para o lar japonês ¥98.800
Roomba Plus 515 Combo + base AutoWash 8,4 cm de altura — passa embaixo de móveis baixos ¥129.800
Roomba Plus 575 Combo + base AutoWash Topo de linha da geração ¥169.800

Dica de quem acompanha os preços: a linha tem sofrido descontos agressivos em campanhas sazonais. Na Amazon Prime Day, o Roomba Plus 575 Combo chegou a ser anunciado por ¥59.800 — cerca de 65% de desconto sobre o preço de tabela. Se você não tem pressa, esperar uma campanha de julho ou de fim de ano pode significar economizar mais da metade do valor.

Panorama da nova geração de robôs anunciada para 2026, já sob a nova gestão.

Vale a pena comprar um iRobot em 2026?

A pergunta é legítima: faz sentido comprar de uma empresa que acabou de sair de uma recuperação judicial? Vamos aos fatos, sem torcida para nenhum lado.

Pontos a favor

  • A operação continua. A empresa afirmou que o aplicativo e os programas de atendimento seguem funcionando durante e depois da reestruturação, e o CEO declarou que é “business as usual”.
  • A dívida foi zerada. Foi exatamente isso que a conversão de créditos em participação fez. A empresa sai do processo sem o peso financeiro que a derrubou.
  • A Picea já fabricava os robôs. O novo dono não é um investidor financeiro distante: é a fábrica. Isso tende a significar custos menores e desenvolvimento mais rápido — o que já se viu na leva de lançamentos de 2026.
  • No Japão, a assistência é sólida. Rede de suporte local estabelecida e peças disponíveis, o que não é garantido em marcas importadas.

Pontos de atenção

  • Serviços em nuvem dependem da empresa existir. Robôs conectados dependem de servidores. Se o negócio não se sustentar, funções de app e mapas podem ser afetadas — vale considerar se você depende muito desses recursos.
  • Privacidade agora envolve outra jurisdição. Os dados de mapeamento residencial passam a estar sob uma empresa de capital fechado sediada na China. Se isso é ou não um problema depende inteiramente do seu critério pessoal, mas é um fato que merece estar na conta.
  • A concorrência está agressiva. Roborock, Dreame e Narwal entregam especificações muito competitivas. Vale comparar antes de fechar.
  • Garantia em transição. Se você tem um aparelho antigo, confirme as condições de cobertura e de reposição de peças de modelos descontinuados, como a linha Braava.

Resumo honesto: se você mora no Japão, quer suporte local sem dor de cabeça e pega o produto em promoção, a linha 2026 é uma opção sólida — os modelos foram literalmente redesenhados para o tipo de casa em que você vive. Se você prioriza a ficha técnica mais avançada pelo menor preço e não se importa em lidar com suporte de marca importada, vale comparar com as concorrentes antes de decidir. Não existe resposta única: depende do peso que você dá a suporte, preço e privacidade.

O legado: um robô que ensinou o mundo a aceitar máquinas em casa

É fácil olhar para o iRobot hoje e ver apenas uma empresa que quebrou. Mas vale reconhecer o tamanho do que ela fez.

Antes de 2002, robô era coisa de fábrica, de laboratório ou de ficção científica. O Roomba foi o primeiro robô que milhões de famílias comuns aceitaram deixar solto dentro de casa, andando sozinho pelo chão da sala enquanto as crianças brincavam. Ele normalizou a ideia de conviver com uma máquina autônoma no espaço mais íntimo que existe. Toda a categoria de robótica doméstica que existe hoje — incluindo as concorrentes chinesas que ajudaram a derrubá-lo — cresceu no caminho que ele abriu.

E vale lembrar o outro lado do legado: os robôs que saíram daquele mesmo laboratório entraram nos escombros do World Trade Center, desarmaram bombas no Iraque e mediram radiação em Fukushima. É uma trajetória rara — a mesma empresa que salvou vidas em zonas de guerra e desastre foi a que colocou um discreto disco cinza passeando pela sua sala.

De um robô de LEGO chamado “Rug Warrior” a 50 milhões de unidades vendidas. Do World Trade Center a Fukushima. De US$ 1,7 bilhão oferecidos pela Amazon à recuperação judicial e à venda para uma companhia chinesa. E, no meio de tudo isso, um país onde a marca nunca deixou de ser líder — o Japão, com 65% de participação e a única receita que continuou crescendo enquanto o resto do mundo abandonava a empresa.

A história do iRobot não é sobre um robô aspirador. É sobre como uma empresa pode inventar um mercado inteiro e mesmo assim perdê-lo.

E você, tem um robô desses em casa? Qual modelo? Se mora no Japão, conta nos comentários se o seu é dos antigos ou se você já pegou algum da nova linha — e se valeu a pena.


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