Imagine que você é um executivo da Nintendo em junho de 1991, sentado numa cadeira caríssima na Consumer Electronics Show em Chicago. No dia anterior, seu parceiro comercial de três anos — a Sony — subiu no palco e anunciou pro mundo um console híbrido que juntaria cartuchos de Super Famicom com o novo formato CD-ROM. Chamava-se Play Station. Você respira fundo, chama o vice-presidente da Philips, e no dia seguinte anuncia que agora vai fazer parceria com eles. A Sony descobre pela imprensa. Chocada, humilhada, publicamente traída. Um engenheiro chamado Ken Kutaragi pega essa raiva e transforma nos próximos três anos numa obsessão de destruir a Nintendo. Em 3 de dezembro de 1994, ele consegue. O PlayStation original chega ao Japão. Três décadas depois, a marca já vendeu 595 milhões de consoles. Vamos percorrer essa saga completa — do projeto secreto que virou traição até o PS6 que a Sony está construindo agora com a AMD.
A PARCERIA QUE VIROU RIVALIDADE ETERNA

A história do PlayStation começa em 1988, dentro dos escritórios da Nintendo em Kyoto. O sucesso do Super Nintendo (Super Famicom no Japão) era iminente, mas a Nintendo enxergava um problema no horizonte: cartuchos custavam caro, tinham pouca capacidade e demoravam meses pra fabricar. A alternativa da vez era o CD-ROM, com centenas de vezes mais espaço e custo unitário quase zero. Só que a Nintendo não sabia fazer óptica. Sony sabia.
O engenheiro rebelde da Sony
Do lado da Sony, um engenheiro chamado Ken Kutaragi tinha vendido internamente a ideia de que games seriam o futuro da empresa. Ele começou trabalhando escondido no projeto do chip de áudio SPC700 do Super Nintendo — literalmente sem autorização dos superiores dele. Quando os chefões descobriram, quase demitiram Kutaragi. Foi o presidente da Sony na época, Norio Ohga, quem interveio pessoalmente e protegeu o rapaz. “Deixe ele continuar. Isso vai virar algo grande”, disse Ohga em reunião interna.
O projeto híbrido
Sony e Nintendo assinaram acordo em 1988 para desenvolver conjuntamente o SNES-CD — um add-on de CD-ROM para o Super Nintendo. Paralelamente, Sony também desenvolveria um console próprio compatível com SNES: o “Play Station” (com espaço entre as duas palavras). Ken Kutaragi liderava o time de engenharia. Entre 200 e 300 protótipos foram fabricados.
A traição da CES 1991
Em junho de 1991, na CES de Chicago, Sony anunciou publicamente o projeto pela primeira vez, mostrando um protótipo funcional. Foi ovacionada. No dia seguinte, sem aviso prévio, Nintendo subiu ao palco e anunciou uma nova parceria com a holandesa Philips para o mesmo projeto de CD-ROM. A imprensa chamou aquilo de “a maior traição da história dos games”. Sony descobriu por telejornal.
Da humilhação nasce um império
Norio Ohga chamou Kutaragi na sala dele em Tóquio e disse a famosa frase: “Não deixe ninguém em paz. Nunca esqueça essa humilhação. Faça um console tão bom que a Nintendo se ajoelhe pra nos comprar.” A partir dali, Kutaragi teve carta branca. Três anos e meio de desenvolvimento intenso resultaram no primeiro PlayStation. Nunca mais a Sony seria coadjuvante da Nintendo.
Curiosidade insana: em 2015 um americano chamado Terry Diebold encontrou um dos protótipos originais do Nintendo PlayStation num lote de leilão de falência de uma empresa. Sabia-se que existiam entre 200-300 protótipos, mas era considerado extinto. Terry vendeu em 2020 por US$ 380.000 em leilão. Hoje só dois protótipos são conhecidos.
PLAYSTATION 1: A REVOLUÇÃO DO 3D

Em 3 de dezembro de 1994, no Japão, chegava às lojas o PlayStation original. Nas primeiras seis horas de vendas, foram mais de 100 mil unidades. Em setembro de 1995, chegou aos EUA por US$ 299 — cem dólares mais barato que o Sega Saturn. Em setembro de 1995 também na Europa. Aqui no Brasil, chegou oficialmente em 1998 via importação, custando o equivalente a três salários mínimos da época.
Por dentro do “PSX”
O PS1 rodava com um chip RISC MIPS R3000A a 33,8 MHz — parece nada perto de hoje, mas em 1994 era acelerador de gráficos 3D em tempo real, algo que só workstations Silicon Graphics de US$ 50 mil faziam antes. Tinha 2 MB de RAM, 1 MB de VRAM, leitor de CD 2x que virou lendário pelo som “tqu-tqu-tqu” durante o loading. Vinha com controle não analógico — os analógicos DualShock só chegaram em 1997.
Jogos que definiram a geração
- Final Fantasy VII (1997) — vendeu 10 milhões, provou que RPG japonês era mainstream global;
- Metal Gear Solid (1998) — Hideo Kojima redefiniu narrativa em games;
- Resident Evil (1996) — inventou o gênero survival horror moderno;
- Gran Turismo (1997) — 10 milhões vendidos, franquia até hoje;
- Crash Bandicoot, Spyro, Tomb Raider, Ridge Racer, Wipeout, Tekken, PaRappa the Rapper — cada um virou franquia;
- Final Fantasy Tactics, Xenogears, Suikoden II — RPGs cult que fãs cultuam até hoje.
PSone (2000) e o encerramento
Em setembro de 2000, a Sony lançou o PSone, versão redesenhada bem menor, do tamanho aproximado de um livro grande, com opção de tela LCD que se acoplava por cima (portátil precoce). Foi vendido até 2006 — 12 anos de vida útil, algo raro para console.
Vídeo: comercial de lançamento original de 1994
Primeiro console doméstico da história a ultrapassar 100 milhões contando exportações e importações não-oficiais em regiões cinzas. Provou que Sony sabia fazer console.
PLAYSTATION 2: O REI ABSOLUTO DOS CONSOLES

Nenhum console jamais vendeu tanto quanto o PlayStation 2. Nenhum. Até hoje, 25 anos depois do lançamento, ele mantém o recorde absoluto de 160 milhões de unidades vendidas. É improvável que qualquer console futuro chegue nesse número — o mercado se fragmentou demais, o mobile canibalizou casual gamers.
Data e preço
Lançamento no Japão em 4 de março de 2000 (¥39.800). América em outubro de 2000 por US$ 299. Europa em novembro. As lojas americanas viveram cenas de black friday antecipada — filas dobrando quarteirões, revenda no eBay chegando a US$ 1.000. Sony vendeu tudo que fabricou nas primeiras seis semanas.
O DVD player que virou desculpa
Aqui a Sony fez uma jogada de mestre: o PS2 era, tecnicamente, o DVD player mais barato do mercado. Um DVD standalone da Sony custava US$ 400 em 2000. Um PS2 custava US$ 299 e além de rodar DVDs também tocava jogos. Milhões de famílias compraram como aparelho de DVD e “de brinde” começaram a jogar. Foi decisão estratégica lendária.
O Emotion Engine
Sony contratou a Toshiba para co-desenvolver o processador do PS2. Foi apresentado com o nome de marketing “Emotion Engine” — um chip vetorial de 128 bits capaz de processar geometria 3D e física. Sony vendeu tanto o marketing dele que virou meme: “chip tão avançado que os EUA regularam como equipamento militar”. Isso era exagero da imprensa, mas o Emotion Engine era impressionante para 1999.
Jogos icônicos
- Grand Theft Auto III (2001), Vice City (2002), San Andreas (2004) — todos exclusivos temporários no PS2;
- Metal Gear Solid 2 & 3 — o auge da parceria Kojima-Sony;
- God of War 1 & 2 (2005, 2007) — a franquia nasce no PS2;
- Shadow of the Colossus, Ico — Team Ico redefiniu games como arte;
- Kingdom Hearts, Final Fantasy X, X-2, XII — RPGs marcantes;
- SingStar, EyeToy, Guitar Hero — party games explodiram;
- Winning Eleven / Pro Evolution Soccer — as tardes brasileiras nas casas eram isso.
Vídeo: reveal do PS2
Curiosidade: a Sony continuou fabricando PS2 até 2013, ou seja, 13 anos após lançamento. Em vários países emergentes (Brasil, Índia, Rússia, Turquia), o PS2 continuou vendendo forte enquanto o PS3 já estava no mercado. Foi o ciclo de vida mais longo de qualquer console da história.
PSP + PS VITA: A APOSTA MÓVEL

Sony tentou duas vezes atacar o mercado portátil dominado pela Nintendo. Foi bem na primeira, mal na segunda.
PSP — PlayStation Portable (2004)
Lançado em dezembro de 2004 no Japão. Tela grande de 4,3″ widescreen para o padrão da época, gráficos comparáveis ao PS2, mídia UMD (mini disco proprietário), preço agressivo (¥19.800 japonês, US$ 249 americano). Vendeu 82 milhões de unidades ao longo da vida útil.
Jogos memoráveis:
- God of War: Chains of Olympus & Ghost of Sparta
- Metal Gear Solid: Peace Walker
- Grand Theft Auto: Liberty City Stories & Vice City Stories
- Monster Hunter Freedom Unite — vendeu milhões só no Japão
- Patapon, LocoRoco — jogos autorais Sony
PS Vita (2011) — o portátil perfeito que ninguém quis
Lançado no Japão em dezembro de 2011, tinha tela OLED de 5″ a 960×544 (revolucionária para portátil), dois analógicos reais, câmeras frontal e traseira, GPS, giroscópio, Wi-Fi + 3G. Era hardware caríssimo pra época. Preço no Japão: ¥29.800. Nos EUA US$ 249 (versão Wi-Fi).
Vendeu apenas 15 milhões — meta da Sony era 40 milhões. Por quê fracassou? Combinação de três fatores: (1) memory cards proprietários absurdamente caros (32GB por US$ 100), (2) subida rápida do smartphone como plataforma de jogos casuais, (3) falta de first-party support da Sony que já estava focada no PS4.
Ironicamente, hoje o PS Vita é cultuado como o melhor portátil que já existiu. Preços de segunda mão subiram de US$ 100 (2019) pra US$ 350 (2026) porque coleção de jogos indie e port de PS4 (via PS TV, hack CFW) rodam maravilha nele.
PLAYSTATION 3: A GUERRA COM XBOX 360

Se o PS2 foi coroação, o PS3 foi trauma. Lançado em 11 de novembro de 2006 no Japão, chegou ao mercado um ano depois do Xbox 360 da Microsoft. Sony achou que dominaria de novo. Achou errado.
Preço que quebrou a coluna
Lançamento nos EUA em 17 de novembro de 2006 por US$ 499 (20 GB) ou US$ 599 (60 GB). Foi o console mais caro da história até então em preço não ajustado por inflação. Kaz Hirai (presidente da Sony PlayStation) disse a icônica frase “You’ll work more hours to buy a PS3” (“Você vai trabalhar mais horas pra comprar um PS3”). Virou meme por décadas.
Por que era tão caro? Blu-ray + Cell
Duas apostas técnicas da Sony:
- Blu-ray Disc — Sony queria vencer a guerra de formatos contra o HD-DVD da Toshiba. Colocar Blu-ray dentro de milhões de consoles era estratégia vertical. Deu certo: HD-DVD morreu em 2008, Blu-ray venceu, mas Sony pagou subsidiando cada console vendido (perdia dinheiro em cada unidade nos primeiros dois anos).
- Cell Broadband Engine — processador co-desenvolvido com Toshiba e IBM. Arquitetura radical: 1 core geral (PPE) + 7 cores especializados (SPEs). Poderoso mas ridiculamente difícil de programar. Estúdios ocidentais choraram por 3 anos até dominarem a plataforma.
A guerra dos exclusivos
Xbox 360 tinha Halo 3, Gears of War, Bioshock (por 6 meses), Mass Effect. PS3 respondeu com Uncharted, The Last of Us, Metal Gear Solid 4, LittleBigPlanet, InFamous, Journey, Killzone, God of War 3. O empate foi técnico. Quem venceu na geração? Ninguém. Xbox 360 e PS3 acabaram quase empatados em vendas (~87M cada).
YLOD e a crise da qualidade
PS3 phat (o modelo original) tinha problema crônico de YLOD (Yellow Light of Death): solda BGA do chip gráfico falhava sob calor prolongado. Milhões de consoles morreram entre 2008-2012. Sony nunca reconheceu publicamente o defeito, mas fez trocas por meio de programa de reparo. Xbox 360 tinha problema análogo (o famoso Red Ring of Death) que ficou ainda mais famoso.
PS3 Slim (2009) e PS3 Super Slim (2012)
Sony redesenhou o PS3 com processo de fabricação menor. Slim caiu de US$ 599 para US$ 299, o console começou a vender bem. Super Slim ficou ainda menor. No fim, PS3 chegou perto de 87 milhões vendidos — muito bom por si só, mas menos que os 160M do PS2 e menos que os 117M que o PS4 faria depois.
PLAYSTATION 4: O RETORNO AO TOPO

Depois do PS3 problemático, Sony aprendeu a lição. O PlayStation 4 lançado em 15 de novembro de 2013 nos EUA por US$ 399 foi feito com filosofia inversa: desenvolvedor primeiro. Chip AMD Jaguar x86-64 (arquitetura familiar), 8 GB de GDDR5 unificada, sem gambiarras arquiteturais. Programar pra PS4 era como programar pra PC.
A palestra que definiu a geração
Na E3 2013, quando Microsoft anunciou que Xbox One teria restrições de DRM (bloqueio de jogos usados, check-in online obrigatório a cada 24h), Sony respondeu com um vídeo de 21 segundos mostrando dois funcionários da PlayStation trocando um disco de mão em mão. Legenda: “How to share games on PS4”. Foi devastador. Xbox One já perdeu ali.
Os exclusivos que mudaram a percepção do gaming
- The Last of Us Part II (2020) — Naughty Dog em pico técnico e narrativo, polêmica gigante mas indiscutivelmente marco;
- God of War (2018) — reboot com Kratos-pai que ganhou GOTY;
- Uncharted 4: A Thief’s End (2016) — despedida épica de Nathan Drake;
- Marvel’s Spider-Man (2018) — Insomniac Games criou o melhor jogo de super-herói já feito;
- Horizon Zero Dawn (2017) — mundo aberto com dinossauros robôs;
- Ghost of Tsushima (2020) — Sucker Punch criou samurai game visualmente lindíssimo;
- Bloodborne, Death Stranding, Ratchet & Clank, Yakuza (localizações).
Números
117,2 milhões de unidades vendidas ao longo da vida útil. Segundo maior seller da história de consoles domésticos, atrás só do próprio PS2. Fez Sony vencer decisivamente a geração 8 contra Xbox One, que ficou em ~50M.
Curiosidade: o PS4 estabeleceu o modelo de “exclusivos cinematográficos single-player AAA” que virou marca registrada da PlayStation. Antes disso, Sony tinha sortimento mais amplo com muitos multiplayer competitivos. A partir do PS4, virou “console para quem gosta de história longa e produção de filme AAA”.
PLAYSTATION 5 + PS5 PRO: A GERAÇÃO CORRENTE

Lançado em 12 de novembro de 2020 nos EUA e Japão por US$ 499 (Digital Edition US$ 399). Chegada durante a pandemia de COVID-19 criou tempestade perfeita: alta demanda + shortage global de chips + revenda por scalpers em preços absurdos (chegou a US$ 1.500 no eBay em 2021). Só em 2022 a Sony conseguiu abastecer mercado normalmente.
As grandes revoluções técnicas
- SSD custom — velocidade de leitura de 5,5 GB/s comprimidos, permitindo eliminar loadings de mundos abertos. Ratchet & Clank: Rift Apart demonstrou isso saltando entre dimensões em frames;
- DualSense — controle com gatilhos adaptativos que aumentam resistência conforme ação no jogo, motores háptcos de alta fidelidade que reproduzem texturas (chão de terra, água, metal). Verdadeiramente next-gen;
- Ray Tracing por hardware — via RDNA 2 da AMD, tornou reflexos e sombras realistas mainstream;
- Tempest 3D Audio — chip de áudio dedicado, headphone gaming ficou sério;
- 3D Audio no Sound Bar integração com Pulse 3D, HDMI 2.1, VRR, 120 Hz — full package.
Vídeo: reveal event “The Future of Gaming” (junho 2020)
PS5 Slim (2023) e PS5 Pro (2024)
Em setembro de 2023, chegou o PS5 Slim, versão redesenhada menor com drive Blu-ray destacável (você pode comprar só a versão digital e adicionar o drive depois). Preço americano: US$ 499 com drive.
Em 7 de novembro de 2024, chegou o PS5 Pro por US$ 699. GPU 45% mais poderosa, ray tracing 2-3x mais rápido, novo sistema de upscaling chamado PSSR (PlayStation Spectral Super Resolution) baseado em IA — resposta direta ao DLSS da NVIDIA. Voltado pra quem quer 4K/60fps com todas as opções ligadas.
Números (julho 2026)
92+ milhões de unidades vendidas combinando PS5 + Slim + Pro. Ritmo de vendas ligeiramente acima do PS4 na mesma janela, embora Sony ainda não tenha atingido a “geração cross-gen” (jogos exclusivos que só rodam no PS5 nativo, sem versão PS4). Está previsto para acontecer em 2026-2027.
PLAYSTATION 6: O QUE JÁ SE SABE

Sony ainda não anunciou oficialmente o PS6. Mas em outubro de 2025, Sony e AMD confirmaram formalmente o Project Amethyst, uma parceria de co-engenharia para desenvolver a arquitetura gráfica do próximo PlayStation. Vazamentos de spec sheet da AMD (via NeoGAF e canal Moore’s Law Is Dead) descreveram detalhes técnicos do que estaria em desenvolvimento.
Especificações vazadas (não oficiais)
O chip principal teria codinome Orion e as seguintes especificações estimadas:
- CPU: 8 cores Zen 6 da AMD;
- GPU: arquitetura RDNA 5, aproximadamente 52-54 Compute Units;
- Poder bruto: 34-40 TFLOPs de rasterização (para comparação: PS5 tem 10,28 TFLOPs, PS5 Pro tem 16,7 TFLOPs);
- Memória: até 40 GB de GDDR7 unificada;
- Fabricação: processo de 3nm da TSMC;
- Ray tracing: aproximadamente 3x mais rápido que PS5, competindo com RTX 4080 da NVIDIA em cenários específicos;
- Handheld companion: chip codinome Canis, possivelmente lançamento em outono de 2027.
Data de lançamento — 2027 ou 2028?
Duas correntes de rumores:
- KeplerL2 (leaker NeoGAF) mantém que Sony ainda está “no caminho” para lançamento em Holiday 2027, com produção em massa começando em Q2 2027;
- Outro cenário aponta que Sony estaria considerando adiar para 2028 ou até 2029 por conta da crise global de memória GDDR causada pela demanda absurda de data centers de IA (Nvidia, OpenAI, Anthropic, etc). Se DRAM continuar cara, PS6 fica cara e o BOM (bill of materials) não fecha.
O que esperar em terms de proposta
Sony deve manter a filosofia “developer-friendly” que rendeu tanto no PS4 e PS5 — mesma arquitetura x86-64, compatibilidade retroativa com PS5 (e possivelmente PS4). PSSR 2.0 (versão evoluída do upscaling IA), ray tracing pesado como padrão, integração forte com PlayStation Portal (streaming) e possivelmente novo hardware VR/AR (PSVR3).
É a única confirmação oficial da Sony sobre PS6 até 2026. Tudo mais é vazamento/rumor. Sony historicamente anuncia console 12-18 meses antes do lançamento — se PS6 sair em Holiday 2027, anúncio oficial deve vir entre março e junho de 2027.
★ LINHA DO TEMPO PLAYSTATION 1988-2028 ★
| ANO | MARCO |
|---|---|
| 1988 | Sony e Nintendo assinam acordo de parceria para SNES-CD |
| Jun/1991 | CES Chicago — Nintendo trai Sony anunciando parceria com Philips |
| 1991-1994 | Ken Kutaragi desenvolve PS1 sob comando de Norio Ohga |
| 03/dez/1994 | PlayStation lançado no Japão (¥39.800) |
| set/1995 | PS1 chega aos EUA (US$ 299) e Europa |
| 1997 | DualShock (controle analógico) e Final Fantasy VII |
| 04/mar/2000 | PS2 lançado no Japão (¥39.800) |
| out/2000 | PS2 nos EUA e Europa — vira DVD player mais barato |
| 2000-2004 | Explosão global do PS2, GTA III/Vice City/San Andreas |
| dez/2004 | PSP lançado (¥19.800) |
| set/2005 | PSone descontinuado após 12 anos |
| 2006 | Blu-ray vence guerra de formatos contra HD-DVD |
| 11/nov/2006 | PS3 lançado no Japão (¥60.000) |
| 17/nov/2006 | PS3 nos EUA (US$ 499 / US$ 599) |
| 2009 | PS3 Slim (US$ 299) e Uncharted 2 |
| dez/2011 | PS Vita lançado no Japão |
| 2013 | PS2 finalmente descontinuado após 13 anos |
| 15/nov/2013 | PS4 lançado nos EUA (US$ 399) |
| 2016 | PS4 Pro — primeiro “mid-gen refresh” da PlayStation |
| 2018 | God of War, Marvel’s Spider-Man |
| 2019 | PS Vita descontinuado após 8 anos |
| 12/nov/2020 | PS5 e PS5 Digital Edition lançados (US$ 499 / US$ 399) |
| 2020-2022 | Shortage global de PS5 durante pandemia |
| set/2023 | PS5 Slim |
| 07/nov/2024 | PS5 Pro (US$ 699) |
| out/2025 | Sony + AMD anunciam oficialmente Project Amethyst (PS6 GPU) |
| Holiday 2027 (?) | PlayStation 6 previsto (ou 2028-2029) |
OS NÚMEROS QUE IMPRESSIONAM
| Console | Ano | Vendas | Jogo mais vendido do console |
|---|---|---|---|
| PS1 | 1994 | 87,4 milhões | Gran Turismo (10,85M) |
| PS2 | 2000 | 160 milhões 🏆 | Grand Theft Auto: San Andreas (~20M) |
| PSP | 2004 | 82 milhões | Monster Hunter Freedom Unite (~5M no Japão) |
| PS3 | 2006 | 87 milhões | Grand Theft Auto V (~20M no PS3) |
| PS Vita | 2011 | 15 milhões | Uncharted: Golden Abyss |
| PS4 | 2013 | 117,2 milhões | The Last of Us Part II (10M+ no lançamento) |
| PS5 | 2020 | 92+ milhões | Spider-Man 2 (11M+) |
| TOTAL | — | ~640 milhões | incluindo variantes e portáteis |
Fatos aleatórios que valem a pena
- O Grand Theft Auto V (2013) foi vendido em todos os consoles PlayStation desde PS3 — recorde total combinado: ~50 milhões só em PS;
- Ken Kutaragi ficou conhecido como o “pai do PlayStation”. Saiu da Sony em 2007. Hoje está aposentado. Recebeu o título de Person of the Year pela ACE Awards em 2005;
- Sony PlayStation nunca esteve em segundo lugar em geração alguma exceto na 7 (PS3 vs Xbox 360, empate técnico);
- O controle DualShock foi o primeiro com dois analógicos + vibração + 4 botões de gatilho — todos os controles modernos herdaram esse layout;
- Sony vende mais de US$ 25 bilhões por ano em receita da divisão Game & Network Services (SIE) — maior contribuinte de lucro da Sony inteira, acima de eletrônicos e música.
O LEGADO CULTURAL: POR QUE PLAYSTATION MARCOU O BRASIL
No Brasil, PlayStation não é só um console — é toda uma geração inteira. Anos 90 e 2000, quando o país tinha impostos altíssimos, jogos originais custavam R$ 200 (equivalente a R$ 600 hoje). Ninguém comprava original. Todo mundo comprava PS1 com chip xtreme desbloqueado no bar da esquina por R$ 500 (~R$ 1.500 hoje).
O PS2 destravado com HDD e Freemcboot foi o primeiro console-multimídia em muitas casas — jogava GTA, tocava DVD, tinha coleção de 200 jogos piratas. Sábado à noite era Winning Eleven ou Guitar Hero até a madrugada. Domingo à tarde, GTA San Andreas com CJ atropelando pedestres em San Fierro.
O PS3, mais difícil de destravar, marcou uma transição cultural: brasileiros começaram a comprar jogos originais em plataformas digitais (PSN Store), influenciados pela chegada da PlayStation Network no Brasil em 2011 e Netflix.
Hoje o PS5 é ainda status symbol. Mesmo importado por R$ 4.500-6.500 em promoções, permanece o console preferido dos brasileiros hardcore. Xbox foi grande no Brasil no ciclo 360, mas nunca na mesma escala.
32 ANOS DEPOIS: POR QUE PLAYSTATION VENCEU
Kutaragi tinha razão. Aquela humilhação da CES de 1991 virou combustível de três décadas. A Sony construiu o console mais vendido de todos os tempos (PS2), inventou padrões de controle que todo mundo copia (DualShock, DualSense), destronou a Nintendo do topo do mercado doméstico, sobreviveu a uma geração ruim (PS3), fez retorno épico ao topo (PS4), e agora prepara o PS6 com AMD.
O legado do PlayStation é mais que hardware — é a definição de o que console gaming é. Cinemáticas AAA single-player, exclusivos que definem geração, mid-gen refresh (que a Sony inventou com PS4 Pro), integração media (Blu-ray, streaming), controle premium com feedback tátil — todos esses conceitos hoje considerados “óbvios” foram estabelecidos pela PlayStation.
Em 2027 ou 2028, quando o PS6 chegar às lojas com seu chip Orion RDNA 5 e 40 TFLOPs, provavelmente vai vender mais uma centena de milhões de unidades ao longo da vida útil. Sony vai continuar líder. E enquanto isso, uma criança brasileira de sete anos vai começar sua jornada de gamer justamente por causa dessa marca que nasceu de uma traição em 1991.
Bem-vindo à família PlayStation. Você não é sozinho.











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