League of Legends: 17 anos de história e a volta do LoL Classic

Em 2009, um estúdio novato chamado Riot Games lançou um jogo gratuito que ninguém apostava que daria certo. Dezessete anos depois, League of Legends é o maior esports do planeta, virou série da Netflix premiada, lotou estádios de futebol e tem centenas de milhões de jogadores. Poucos produtos de entretenimento cresceram tanto, por tanto tempo.

E agora, em 2026, a Riot faz algo que os fãs pediam há mais de uma década: traz o LoL Classic de volta — uma versão que recria o jogo de mais de 10 anos atrás, com os campeões, itens e a “sensação” da época que muita gente considera a melhor. O anúncio, feito na final do MSI, colocou a comunidade em polvorosa.

Neste post você vai ver a história completa do League of Legends: da origem nas modificações de Warcraft ao domínio mundial, os números insanos do esports, as polêmicas pelo caminho — e tudo sobre o LoL Classic, que chega em 29 de julho de 2026. Bora pra Runeterra.

A origem: quando um “mod” virou o maior jogo do mundo

Para entender o LoL, é preciso voltar antes dele. No começo dos anos 2000, um jogador criou um mapa personalizado para Warcraft III chamado Defense of the Ancients (DotA). Era um novo tipo de jogo: dois times de cinco tentando destruir a base inimiga, cada um controlando um único “herói” que ficava mais forte ao longo da partida. Nascia ali o gênero MOBA.

Da modificação à empresa

Dois amigos, Brandon Beck e Marc Merrill, viram naquele mapa amador o potencial de um jogo profissional e independente. Em 2006 fundaram a Riot Games e — sacada genial — contrataram justamente as pessoas por trás do DotA, como Steve “Guinsoo” Feak (que havia expandido o DotA: Allstars com dezenas de heróis) e Steve “Pendragon” Mescon.

A proposta era transformar aquele mod, que dependia de Warcraft, num jogo próprio, gratuito e feito para durar — com atualizações constantes, personagens novos e um plano para virar esporte. Em outubro de 2009, depois de um beta, o League of Legends foi lançado com 40 campeões, incluindo nomes que são ícones até hoje: Ashe, Morgana e Warwick.

O modelo que mudou a indústria: o LoL foi um dos pioneiros do “free-to-play” bem feito. O jogo é 100% gratuito — você só paga se quiser skins (roupas cosméticas para os campeões), que não dão vantagem competitiva. Esse modelo provou que dava para faturar bilhões sem cobrar pelo jogo em si, e virou padrão copiado pelo mundo inteiro, de Fortnite a Valorant.

A escalada: de 40 campeões a um universo inteiro

A linha do tempo de League of Legends de 2009 a 2026

Ilustração autoral: os marcos que transformaram um mod em fenômeno global.

  • 2009-2012 — O crescimento: a Riot lançava campeões novos quase toda semana, corrigia o jogo constantemente e construía uma comunidade fiel. O boca a boca fez o resto.
  • 2011 — Nasce o esports: acontece o primeiro Campeonato Mundial (Worlds), com premiação de US$ 100 mil. Ninguém imaginava o que aquilo viraria.
  • 2013 em diante — A era competitiva: ligas profissionais surgem na Coreia, China, Europa e América. O jogo vira profissão, com salários, patrocínios e arenas.
  • 2016-2017 — O domínio coreano e Faker: a equipe SK Telecom T1, liderada por Lee “Faker” Sang-hyeok, domina o mundo. Faker vira o “Michael Jordan dos esports” — o jogador mais famoso da história do gênero.
  • 2021 — Arcane: a Riot lança na Netflix a série animada Arcane, baseada no universo do jogo. Vira sucesso de crítica e público, ganha prêmios importantes e apresenta Runeterra para milhões que nunca tinham jogado.
  • 2024-2026 — Maturidade: o jogo passa dos 15 anos ainda no topo, com campeonatos batendo recordes de audiência e uma base de jogadores que poucos títulos na história mantiveram por tanto tempo.

O maior esports do mundo — em números

Os números do esports de League of Legends

Ilustração autoral: audiências que rivalizam com finais de esportes tradicionais.

Quando se fala em esports, o League of Legends é a referência. Não é opinião — são números que fazem muita liga esportiva tradicional corar:

Os dados que impressionam

  • A final de Worlds de 2021 teve pico de mais de 73 milhões de espectadores simultâneos — mais que muitas finais de esportes olímpicos.
  • A final de 2024 (Bilibili Gaming x T1) foi o evento de esports mais assistido da história, com média de 6,94 milhões de espectadores.
  • O maior prêmio de um Mundial foi de US$ 6,45 milhões (2018), e em 2025 a Riot voltou a dobrar a bolsa para US$ 5 milhões.
  • Em 2026, o cenário competitivo comemora 15 anos de existência.

Faker, a lenda viva: nenhum jogador simboliza tanto o esports quanto Faker. Múltiplas vezes campeão mundial ao longo de mais de uma década, ele transcendeu o jogo — é reconhecido na rua na Coreia, apareceu em cerimônias de estado e é frequentemente chamado do “maior atleta de esports de todos os tempos”. Provou que dá para ter uma carreira longa e lendária jogando videogame.

O trailer do showmatch de LoL Classic, com o retorno de pros icônicos à Rift antiga.

As polêmicas pelo caminho

Nem tudo em 17 anos foi glória. O LoL e a Riot enfrentaram controvérsias importantes que vale conhecer.

O processo por discriminação de gênero (2018-2021). Uma reportagem revelou uma “cultura de sexismo” dentro da Riot, com relatos de assédio e de mulheres recebendo menos e sendo preteridas em promoções. Uma ação coletiva foi movida, funcionários fizeram greve contra a política de arbitragem obrigatória da empresa, e a Riot acabou concordando em pagar US$ 100 milhões para encerrar o caso — um dos maiores acordos do tipo na indústria de games.

A monetização e as loot boxes. Como muitos jogos gratuitos, o LoL passou a vender itens em “caixas” de conteúdo aleatório. Críticos apontam que esse modelo — pagar por um resultado incerto — se aproxima de aposta e pode incentivar gastos excessivos, especialmente entre os mais jovens. É o mesmo debate que cerca o Ultimate Team do FIFA e os pacotes de vários jogos populares.

A discussão do “power creep” e das reformulações

Ao longo dos anos, a Riot reformulou dezenas de campeões, mudou itens e alterou o mapa. Muita coisa melhorou o jogo — mas parte da comunidade sempre reclamou de que o LoL foi ficando mais rápido, mais complexo e menos parecido com o que os fez se apaixonar. Essa saudade, aliás, é exatamente o que deu origem ao LoL Classic.

2026: a volta do LoL Classic

O retorno do LoL Classic em 2026

Ilustração autoral: a nostalgia da Season 3 voltando ao jogo.

Esta é a notícia que fez a comunidade explodir. Anunciado durante a final do MSI 2026, o LoL Classic é a resposta da Riot a um pedido antigo dos fãs: reviver o League de mais de dez anos atrás.

Data de lançamento: 29 de julho de 2026. O LoL Classic chega logo após o patch 26.15, dentro do próprio cliente atual do jogo — não é um jogo separado, é um modo que você acessa pelo League normal. Não precisa baixar nada novo nem criar outra conta.

O que é, exatamente

O LoL Classic recria a experiência das versões antigas, com foco principal na Season 3 (2013) — considerada por muitos a era de ouro do jogo. Na prática, isso significa:

  • 60 campeões disponíveis no lançamento, muitos com seus kits antigos (antes das reformulações).
  • Combate mais lento e estratégico, com campeões que tinham forças e fraquezas bem marcadas.
  • Itens e builds clássicos, além dos feitiços de invocador antigos.
  • A “sensação” e o ritmo do LoL de mais de dez anos atrás, que muita gente sente falta.

O toque inteligente: a Riot não vai só copiar o passado com todos os seus defeitos. O LoL Classic mantém melhorias modernas que ninguém quer perder — matchmaking atualizado, servidores melhores, sistema de pings moderno, spell buffering e até a opção de controles WASD. Ou seja: a nostalgia da jogabilidade antiga, sem a dor de cabeça técnica da época.

Análise em português com tudo que a Riot revelou sobre o League Classic e o que muda.

Por que o LoL Classic é tão importante

Nostalgia é o novo motor dos games

O LoL Classic não é um caso isolado — faz parte de um movimento enorme. Assim como o Neo Geo está voltando, o FIFA virou nostalgia e clássicos são remasterizados o tempo todo, a indústria descobriu que a saudade vende. Depois de 15 anos, o LoL tem duas gerações de jogadores: os que começaram adolescentes lá em 2010, hoje adultos, e os novos. O Classic fala direto ao coração dos primeiros — que têm dinheiro e vontade de reviver a juventude.

Vale a pena voltar (ou começar) agora? Se você jogava antigamente e parou porque “o jogo mudou demais”, o LoL Classic é feito para você — é a chance de reviver exatamente a época de que você sente falta, sem os problemas técnicos. Se você nunca jogou, é uma porta de entrada curiosa: dá para conhecer as raízes do maior esports do mundo. E o melhor: como sempre, é de graça.

Resumo: um império que não para

Ano Marco
2006 Fundação da Riot Games
2009 Lançamento do LoL com 40 campeões
2011 Primeiro Campeonato Mundial (Worlds)
2016-17 Domínio da SKT e ascensão de Faker
2021 Arcane estreia na Netflix; pico de 73 mi no Worlds
2024 Final mais assistida da história dos esports
29/07/2026 Lançamento do LoL Classic

De um mapa amador de Warcraft a 17 anos de reinado. De 40 campeões a mais de 160. De uma premiação de US$ 100 mil a estádios lotados e 73 milhões de espectadores. De um jogo gratuito a uma série premiada da Netflix. Poucas franquias na história do entretenimento fizeram o que o League of Legends fez — e continuam fazendo.

E agora, num movimento raro, o jogo olha para o próprio passado e diz: “vamos reviver o que nos trouxe até aqui”. Em 29 de julho, a Rift de dez anos atrás volta. A lenda continua.

E você, é da era clássica ou da moderna? Jogou LoL lá por 2011, 2013? Qual era o seu campeão? E aí, vai voltar pra testar o LoL Classic no dia 29? Conta aí nos comentários — e se parou de jogar, foi por quê?



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