De FIFA a EA Sports FC: 33 anos do maior jogo de futebol do mundo

Por trinta anos, uma única palavra foi sinônimo de videogame de futebol: FIFA. Não importava se você jogava no Mega Drive, no PlayStation 2 ou no celular — o nome era esse. Era o jogo que fazia amizades e terminava com elas, que enchia LAN houses e reunia a família na sala.

Então, em 2023, aconteceu o impensável: a EA e a FIFA se separaram. O jogo mais vendido de futebol da história abriu mão do nome mais famoso do futebol e virou EA Sports FC. Por trás dessa decisão está uma briga de US$ 1 bilhão, um modo de jogo acusado de ser aposta disfarçada, e uma aposta corajosa que — surpresa — deu certo.

Neste post você vai ver a história completa: do humilde FIFA International Soccer de 1993, com jogadores sem nome, até o EA Sports FC 27 que chega em setembro de 2026 com Mbappé na capa. Passando pelo divórcio bilionário, pelas polêmicas do Ultimate Team e por tudo que já se sabe do próximo jogo. Bola rolando.

A evolução completa em vídeo — do pixel de 1993 ao realismo do FC 26.

1993: o começo de tudo (com jogadores sem nome)

Tudo começou em dezembro de 1993 com o FIFA International Soccer, lançado primeiro no Sega Mega Drive (Genesis) para pegar carona na Copa do Mundo de 1994, nos EUA.

O que fazia dele especial — e o que faltava

O grande truque técnico era a visão isométrica (de cima, num ângulo diagonal), enquanto os concorrentes usavam visão lateral ou de cima reta. Isso deu ao jogo uma sensação de profundidade inédita para a época. Tinha 76 seleções jogáveis.

Mas havia um detalhe curioso: por questões de licenciamento, o jogo não tinha jogadores reais. Você jogava com o Brasil, mas os nomes dos atletas eram inventados. A EA tinha a licença da sigla FIFA, mas ainda não a dos jogadores — isso viria depois, e mudaria tudo.

A escalada dos anos 90: quando o FIFA virou fenômeno

A evolução gráfica dos jogos de FIFA ao longo das décadas

Ilustração autoral: cada geração de console empurrou os gráficos do FIFA um degrau adiante.

  • FIFA 96 — o divisor de águas. Chegam os jogadores reais pela primeira vez e o motor “Virtual Stadium”, com estádios em 3D. O jogo deixa de ser genérico e passa a ser o futebol.
  • FIFA: Road to World Cup 98 — a revolução seguinte. Agora dava para disputar a Copa do Mundo inteira, com eliminatórias. A trilha sonora licenciada (com “Song 2” do Blur) virou marca registrada da franquia.
  • FIFA 2001 em diante — a chegada ao PlayStation 2 elevou o nível de gráficos e comentários, e o jogo se consolidou como líder absoluto na Europa.
  • A rivalidade com o Pro Evolution Soccer — no início dos anos 2000, o PES da Konami tinha, para muitos, uma jogabilidade melhor. Foi a competição que forçou a EA a melhorar de verdade a física de jogo — e a partir de FIFA 10/11 a EA assumiu a dianteira e nunca mais largou.

O salto que definiu a era moderna: a partir de FIFA 10, com o motor de física de 360 graus, o jogo deixou de ser “arcade” e virou simulação. Cada edição anual passou a vender dezenas de milhões de cópias, tornando o FIFA a franquia esportiva mais vendida da história dos videogames.

O Ultimate Team: a mina de ouro (e a maior polêmica)

FIFA Ultimate Team e a polêmica das loot boxes

Ilustração autoral: os pacotes de cartas do FUT — o modo que virou uma máquina de bilhões e um caso de justiça.

Em 2009, o FIFA ganhou um modo que mudaria a indústria inteira: o FIFA Ultimate Team (FUT). A ideia era simples e viciante — montar seu time dos sonhos abrindo pacotes de cartas de jogadores, como as figurinhas de álbum, mas digitais.

Por que virou uma máquina de dinheiro

Os pacotes podem ser comprados com moeda ganha jogando… ou com dinheiro real, via os “FIFA Points”. E como todo mundo quer o Messi ou o Mbappé de melhor carta, muita gente gasta — e gasta muito. O FUT chegou a gerar sozinho US$ 1,38 bilhão de receita em um único ano, tornando-se muito mais lucrativo que o próprio jogo base.

Foi exatamente essa mina de ouro que despertou a cobiça da FIFA na hora de renegociar o contrato — mas já chegamos lá.

A polêmica que virou caso de justiça. Críticos apontam que abrir pacotes pagando por um resultado aleatório é, na prática, uma forma de aposta — e que isso é especialmente perigoso para crianças e adolescentes, o público que mais joga. A EA se defende dizendo que não é aposta porque você “sempre leva alguma coisa” no pacote.

Os governos não compraram a explicação. Na Bélgica, a comissão de jogos considerou os pacotes um produto de aposta sem licença, e a EA foi obrigada a parar de vender moeda por dinheiro real no país em 2019. Na Holanda, a autoridade chegou a determinar multa de €500 mil por semana enquanto o Ultimate Team continuasse rodando por lá. O debate segue vivo até hoje.

2022-2023: o divórcio bilionário

O divórcio bilionário entre FIFA e EA Sports

Ilustração autoral: depois de 30 anos, o casamento mais lucrativo dos games acabou por causa de dinheiro.

Aqui está o coração dessa história — e é uma aula de como a ganância pode custar caro.

Como o casamento desandou

Por décadas, a EA pagava à FIFA cerca de US$ 150 milhões por ano (aproximadamente US$ 500 milhões a cada ciclo de quatro anos) pelo direito de usar o nome “FIFA” no jogo. Um bom negócio para os dois lados.

Mas a FIFA viu o dinheiro que o Ultimate Team gerava e ficou com água na boca. Na renegociação, exigiu dobrar o valor: queria cerca de US$ 1 bilhão a cada quatro anos. Pior: queria também limitar o que a EA podia fazer com o jogo fora dos períodos de Copa, para poder licenciar o nome a outros produtos.

A decisão que ninguém esperava: a EA fez as contas e percebeu algo poderoso. O que fazia o jogo vender não era a sigla FIFA — eram as licenças dos jogadores, clubes, estádios e ligas de verdade, que a EA tinha contratado diretamente (mais de 300 parceiros, incluindo Premier League, La Liga e Champions League). A palavra “FIFA” na capa custava US$ 1 bilhão e não trazia nenhum jogador junto. Então a EA simplesmente… largou o nome.

Nasce o EA Sports FC

Em 2023, saiu o EA Sports FC 24 — o primeiro jogo da franquia sem o nome FIFA em 30 anos. E o mercado provou que a EA estava certa: com todos os times, jogadores e competições reais no lugar, os fãs continuaram comprando normalmente. O jogo seguiu líder absoluto.

A FIFA, do outro lado, ficou com o nome e sem o jogo. Anunciou que licenciaria a marca para “múltiplos estúdios” — mas, até hoje, nenhum concorrente chegou perto de ameaçar o EA Sports FC. Foi, como muitos analistas resumiram, um gol contra da federação.

Panorama histórico com datas, consoles, vendas e capas de cada edição.

2026: tudo sobre o novo EA Sports FC 27

EA Sports FC 27: novidades, capa e data de lançamento

Ilustração autoral da nova edição — a terceira já sob a marca EA Sports FC.

Antes de tudo, uma correção que confunde muita gente: o EA Sports FC 26 é o jogo atual, lançado em setembro de 2025. O “próximo” da franquia é o EA Sports FC 27, e é dele que vamos falar. Boa parte já é oficial, então dá para confiar.

Data de lançamento: o EA Sports FC 27 chega em 25 de setembro de 2026, mantendo a tradição de sair no fim de setembro. Quem comprar a Ultimate Edition (ou for assinante elegível do EA Play) deve ter acesso antecipado de até 8 dias.

Mbappé na capa — de novo

Kylian Mbappé foi confirmado como o astro da capa da Ultimate Edition e da versão mobile, seguindo como o rosto da franquia depois de ter ganhado a Chuteira de Ouro na Copa do Mundo de 2026. É a continuidade de um reinado: o francês já vinha sendo o garoto-propaganda da EA.

“FC The Grounds”: o modo open-world

A novidade mais comentada é um modo estilo mundo aberto, que a EA teria registrado como “FC The Grounds”. Seria um hub explorável onde você anda pelo ambiente, interage socialmente com outros jogadores, e acessa partidas e minigames a partir dali — algo bem diferente do menu tradicional. Se confirmado em cheio, é a maior mudança estrutural da franquia em anos.

Ainda no PS4 e Xbox One (a surpresa)

Contra a expectativa de muita gente, o FC 27 continuaria saindo também para PlayStation 4 e Xbox One, os consoles da geração passada. Isso é bom para quem não atualizou o console, mas gera debate: parte da comunidade acha que segurar o jogo nas máquinas antigas limita os avanços de gráficos e física. Também vem para PS5, Xbox Series X/S, PC, Nintendo Switch, Switch 2 e Amazon Luna.

Jogabilidade e modos

Os relatos apontam melhorias em movimentação dos jogadores (um pedido antigo da comunidade), além de novidades no Modo Carreira e no Ultimate Team. A EA vem prometendo uma física mais responsiva a cada ano — resta ver o quanto entrega desta vez.

O trailer oficial de revelação do EA Sports FC 27.

Detalhamento das novas funcionalidades oficiais anunciadas para o FC 27.

Linha do tempo: do FIFA ao FC em um relance

Ano Marco
1993 FIFA International Soccer — o primeiro, com jogadores sem nome
1996 FIFA 96 traz jogadores reais e estádios 3D
1998 Road to World Cup 98 — Copa do Mundo completa e trilha licenciada
2009 Nasce o FIFA Ultimate Team (FUT)
2019-2020 Bélgica e Holanda agem contra as loot boxes do FUT
2023 O divórcio: nasce o EA Sports FC 24, sem o nome FIFA
2025 EA Sports FC 26, o jogo atual
25/09/2026 EA Sports FC 27 — Mbappé na capa e modo open-world

Vale a pena o FC 27? E o FIFA volta algum dia?

Para quem joga todo ano

Se você vive de Ultimate Team ou joga online competitivo, comprar no lançamento faz sentido — é onde a base de jogadores está e onde os modos online ficam ativos. Fique de olho só no preço: a edição padrão dos últimos jogos saiu por cerca de US$ 69,99 e a Ultimate por US$ 99,99.

Para quem joga casual

Se você joga de vez em quando, com amigos no sofá, vale esperar a promoção. Os jogos da franquia caem de preço rápido — em poucos meses o FC costuma estar pela metade do valor, e a diferença de conteúdo para quem não joga online é pequena. Não há pressa.

E o nome FIFA, volta? A federação prometeu lançar jogos com o nome FIFA por meio de outros estúdios, mas até agora nada apareceu que ameace o EA Sports FC. A verdade incômoda para a FIFA é que o público seguiu o jogo, não a sigla. Enquanto a EA mantiver as licenças de jogadores, clubes e ligas, o “FIFA” oficial tende a continuar sendo apenas um nome à procura de um jogo à altura.

De 76 seleções com jogadores inventados em 1993 a mais de 20 mil jogadores reais e 35 ligas hoje. De um cartucho de Mega Drive a uma franquia que fatura bilhões só com pacotes de figurinha digital. De um divórcio de US$ 1 bilhão ao maior jogo de futebol do mundo seguindo firme — só que com outro nome na capa.

A sigla mudou. O trono, não. Em 25 de setembro, a bola volta a rolar.

E você, de que lado da história está? Ainda chama de “FIFA” por costume, ou já se acostumou com o “EA FC”? Qual foi a primeira edição que você jogou — e qual é o seu modo favorito: Carreira, Ultimate Team ou aquela pelada rápida com os amigos? Comenta aí!


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